Empresas Orgânicas

Um novo conceito de lidar com pessoas

Você conhece pessoas que amam o que fazem, são engajadas com as atividades e contribuem para os resultados da empresa? Certamente essas pessoas trabalham em uma filosofia de O2 (Organizações Orgânicas).

O título desta matéria faz referência a um grande estudioso em Organizações Orgânicas: RENAN CARVALHO.

O autor defende em seu livro1 que, nas empresas orgânicas, como organismo vivo, as pessoas são tratadas como seres humanos o propósito é servir, gerar valor, com espírito de equipe e não no tradicional sistema operacional de comando, controle e hierarquia rígida no qual as pessoas são “recursos humanos” que devem ser encaixados nas funções, processos e operar máquinas.

As pessoas são movidas pela autonomia e de tomar decisões descentralizadas. A autonomia gera automotivação, emoções e experiências. Líderes e liderados são humildes e gostam de lidar com pessoas sem necessariamente ter que usar a autoridade como na premissa de comando e controle elas produzem mais quando submetidas por incentivos financeiros, ou por medo de perdê-los.

Automotivação como a capacidade de colocar emoção a serviço de uma meta, o que gera confiança e respeito mútuo, facilitando que a comunicação empresarial flui em todas as direções.

Empresas OrgânicasTrata-se de um modelo longe dos padrões das teorias clássicas adotadas pelos “pais” da Administração Científica Frederick Taylor e Henry Fayol nos primórdios da década de 1910 que foi produtivo com a Revolução Industrial onde as pessoas precisavam desenvolver habilidades psicomotoras para obter produtividade. Aqueles ícones desenharam o primeiro Sistema Operacional no qual separava gestores de executivos com organograma adotado por Henri Ford em 1916. Hoje, porém, os líderes vivem uma realidade diferente a dos bisavôs. O novo modelo foi adotado pela Toyota, Google, Magazine Luiza e outros, mas pode ser adotado por pequenas e médias empresas e passem a entregar Valor.

Usando um termo trazido pelos estudiosos Burns e Stalker na década de 1960, não se trata de uma metodologia a ser copiada, mas sim criada de uma mentalidade que precisa ser estudada, entendida, familiarizada, absorvida e praticada. Uma atitude dos lideres e liderados que começam a se proliferar na empresa, as equipes começam gerar soluções de melhoria contínua.

Bastam que os líderes saiam do convencional, abandonando o condicionamento de comando e controle e começar a pensar por si mesmo, assim eles perceberão a mudança que a empresa é formada por um conjunto de seres humanos, rompendo paradigmas de ferramentas tradicionais de gestão que coloca valores humanos abaixo de valores monetários.

Um paradoxo. Por que empresas que utilizam o Comando e Controle ainda obtêm excelentes resultados e sucesso? Contudo, o conceito de sucesso pode ser: Sucesso é crescer em faturamento ou sucesso é qualidade de vida.

O guru de gestão Jim Collins, autor de Feitas para Durar2, nos diz que: “tentar motivar pessoas é o maior desperdício de tempo e dinheiro. Basta que as empresas parem de desmotivá-las”. Nas empresas orgânicas eliminam os princípios desmotivadores do comando e controle, geridas como peças de uma máquina. Então não existe necessidade de estratégias para reter e motivar talentos.

Outra diferença é entre funções rígidas X flexíveis. Assim como no futebol, um zagueiro, por exemplo, foi treinado para defender, roubar e passar a bola? Além disso, o zagueiro pode conduzir a bola ao ataque, fazer lançamentos, chutar e fazer gols. Portanto, no futebol existe especialização que são as posições, porém, todos os jogadores, se necessário, defendem, atacam e marcam gols.

Em entrevista3, Carvalho dá dicas práticas:

  • Fazer a descrição de cargos abrangendo o propósito da empresa;
  • Estimular o crescimento profissional, aprendendo sobre tudo na empresa;
  • Criar um ambiente sincero onde todos jogam, todos lideram e respeitam-se;
  • Dedicar atenção, andar, ouvir, conversar e nutrir relacionamentos.

Pessoas são seres humanos. Indivíduos providos de emoções e experiências altamente relevantes para os relacionamentos e para o conseqüente desempenho do organismo. Esta visão foi desenvolvida pelo professor Douglas McGregor, na década de 60, onde identificou dois comportamentos X e Y, sendo a primeira movida por incentivos financeiros e a segunda pelo trabalho prazeroso.

Pessoas são naturalmente automotivadas desde que trabalhem com autonomia de acordo com Daniel Pink4. Contudo, a administração adotou apenas o que se encaixa no Comando e Controle das teorias de Peter Drucker e Abraham Maslow. O próprio Ducker reconhece que as empresas deveriam ser mais descentralizadas. A pirâmide de Maslow coincide com o organograma onde as pessoas de cima precisam autorrealizar-se e as pessoas de baixo precisam ter suas necessidades fisiológicas atendidas. O segredo da motivação das pessoas no Sistema Orgânico é o cultivo de um ambiente com autonomia, desafios, foco, onde todos possuem o mesmo nível de importância.

Ao invés de se preocupar com a concorrência, as empresas orgânicas são sustentáveis, com crescimento natural, ela tem convicção plena de que o resultado é conseqüência disso. São apenas preocupadas em viver de maneira saudável, ser feliz e deixar as pessoas felizes e encantam os clientes.

Quadro comparativo entre premissas Comando e Controle e premissas Orgânicas:

Comparação de empresas: Comando e Controle X Empresas Orgânicas

O desafio é sair do status quo, ou o que especialistas chamam de No – No, os resistentes a mudanças e criar paixão por um propósito inovador que é a semente do sistema que preza as pessoas, ou o motor que move a engrenagem, onde todo o resultado é conseqüência desse propósito.

Trata-se de uma escolha de como preferimos viver nossas vidas e como preferimos que nossos filhos e netos vivam suas vidas no futuro.

Mas como conseguir isso?

Primeiramente, participando de um programa a fim de quebrar paradigmas e a construção de novas atitudes. Posteriormente, levando este programa para dentro da empresa interagindo com as pessoas.

Qual o propósito de sua vida? O que você faz melhor do que qualquer outra pessoa no mundo? Que sensação você gera nas pessoas quando faz o que gosta? O que você espera deixar para o mundo como seu LEGADO?

Empresas Orgânicas: um caminho a trilhar.


Sadi Zamin
Administrador com Habilitação em Agronegócios; Pós Graduado em: Administração e Estratégia Empresarial; em Gestão Empresarial; e em Gestão Estratégica de Pessoas. Consultor e Fundador da Humanizare Desenvolvimento Pessoal e Profissional. Contato: sadi@humanizare.com.br

Sadi Zamin

PARA SABER MAIS
  1.  CARVALHO, Renan. O2 Organizações Orgânicas – um guia para revolucionar a gestão e liderar as equipes do século XXI. Blumenau: Nova Letra, 2012.
  2. COLLINS, James C.; PORRAS, Jerry I. Feitas para Durar. 9. ed. São Paulo: Rocco, 2007.
  3.  MACHADO, Pauline. Organização Orgânica – Nova proposta de gestão – Entrevista com Renan Carvalho. Meu Próprio Negócio. São Paulo, mar. 2013.
  4. PINK, Daniel. Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us. Estados Unidos: Riverhead Books; 1 edition: 2009

Comentários