Quem é o Substituto?

Da Copa do Brasil para o ambiente organizacional

O esporte faz a alegria do povo, principalmente em um país do Futebol como o Brasil. Não é por acaso que somos pentacampeões em copas do mundo, além de campeão da Copa das Confederações.

Na Copa do Mundo de 2014 sediada no Brasil, nossa seleção figurou dentre as favoritas, senão a mais favorita, o que seria uma alegria para compensar a decepção com as obras superfaturadas dos estádios. O cenário era favorável, pois dos atletas convocados, 21 deles jogam em grandes clubes no exterior. O povo brasileiro apoiou a Seleção.  A torcida mobilizou-se em uma só voz assim como entoou o Hino Nacional à capela.

Esta Copa do Mundo foi caracterizada por um paradoxo: seleções medianas se destacaram, enquanto que os resultados de grandes seleções foram medíocres, senão sofríveis. Algumas até foram desclassificadas antes da expectativa. Portanto, nesta Copa não vimos sumidades. Contudo, devemos reconhecer o entrosamento de algumas equipes, notadamente a alemã.

Quanto a seleção brasileira, em que pese sua classificação em primeiro lugar no grupo, não encantou com o futebol arte. Com o afastamento do craque Neymar, lesionado por jogada violenta sem punição, houve uma comoção nacional em torno do jogador, o que é humano, porém. O dilema foi quem seria o seu substituto para jogo das semifinais de 08 de julho de 2014, às 17 horas. No Estádio Mineirão, em Belo Horizonte.

De acordo com analistas, foram apontados vários erros táticos:

  • Primeiro: o treinador foi insensível às sugestões unânimes da crônica esportiva nacional, preferiu o anonimato e escalou uma equipe surpresa;
  • Segundo erro: montou uma equipe ofensiva nas laterais e deixou o meio de campo livre para que a Seleção da Alemanha trocasse passes com habilidades que lhe é peculiar, até chegar à área e, bem próximo dela, fazer gols;
  • Terceiro erro: a partir dos primeiros gols, a seleção verde amarela entrou em pânico e o treinador esperou o intervalo para proceder a mudança, quando então conseguiu equilibrar o jogo, porém tarde demais…aí virou a “farra de gols da Alemanha”.

Com o placar de 7 X 1, vamos nos contentar com o terceiro, ou quiçá, o quarto lugar, que ainda é um bom resultado.

Diferenças de ambiente organizacional

Imagem mostra momento de comemoração: Vitória de uma equipe X derrota de um grupo de pessoas.
Fonte: Agência Reuters

E eu com isso?

Transferindo a magia do futebol para o mundo do trabalho, podemos tirar várias lições interessantes deste episódio:

  • Primeira analogia: “ninguém é insubstituível”;
  • Segunda: colocar “pessoas certas no lugar certo”, em conformidade com as competências que cada profissional demonstra possuir;
  • Terceira: treinar sempre, buscar informações, deter e compartilhar o conhecimento, ser proativo e saber ouvir;
  • Quarta: delegar responsabilidades, formando substitutos, onde todos crescem;
  • Quinta: buscar a sinergia e o comprometimento das pessoas, alinhando os objetivos pessoais com os objetivos da organização.

Resgatando a “Metáfora da Árvore”, onde a Gestão por Competências é o resultado da multiplicação do CHA, de Benjamim Bloom, sendo o C de Conhecimento, que é o saber e o domínio cognitivo = a raiz da árvore, os jogadores são inteligentes e conhecem o futebol; o H de Habilidades, de fazer, que é o domínio psicomotor = o tronco,  os jogadores foram treinados; o A de Atitudes  o querer fazer, domínio afetivo = a copa da árvore,  pode ter faltado atitude enquanto equipe, o fato de se deixar abalar pelo afastamento de um jogador importante (mas não insubstituível).

Ao CHA ainda pode ser acrescentado mais duas letras, virando CHA+VE = CHAVE, onde o V de Valores, que é o resultado que o profissional entrega. Voltando ao futebol, ao invés de entregar alegria, os jogadores deram vexame histórico; E de Entorno, que significa a interação da equipe com o cenário nacional que incentivou a seleção, fazendo uma só torcida.

Se a equipe não for competente, perde o jogo e quem ganha é o concorrente. Quem quer perder?

Que sirva de lição além do esporte, no trabalho, em todas as dimensões da vida e aprender com os erros, como no dizer de Jack Welch – em 20 Lições de Liderança.

Resta “catar os cacos”, rever estratégias e fazer ajustes, porque a vida continua e cabe a cada um construir o seu legado, seguir em frente e que o futebol continue sendo a alegria do povo.


Sadi Zamin
Administrador com Habilitação em Agronegócios; Pós Graduado em: Administração e Estratégia Empresarial; em Gestão Empresarial; e em Gestão Estratégica de Pessoas. Consultor e Fundador da Humanizare Desenvolvimento Pessoal e Profissional. Contato: sadi@humanizare.com.br

Sadi Zamin

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