Da Maturidade Emana a Sabedoria

É racional aos 60 anos ou mais, a pessoa pensar e agir como se tivesse apenas com 18 anos?

Maturidade na equipe

Exagero à parte entende-se como resposta mais assertiva: É melhor viver intensamente cada etapa da vida. Conviver harmoniosamente com as pessoas de cada época e respeitar as individualidades.

Todas as gerações têm a ensinar umas às outras, buscando equilíbrio.

De acordo com as diretrizes do Sistema Positivo de Ensino1, a sabedoria é mesclar a experiência dos adultos com o vigor dos mais jovens, buscando uma interação salutar.

O estudo2 de Rosa Krausz – Fundadora do SBDG – Sociedade Brasileira de Dinâmica em Grupos resgata que as gerações passam pela seguinte evolução:

  • SENIORS= Antes de 1925;
  • BUILDERS (Veteranos) = 1925 – 1946, os disciplinados;
  • BABY BOOMERS = 1947 – 1964 explosão da população, pós IIª Guerra;
  • GERAÇÃO “X” = 1965 – 1979 buscam de valores liberais, autoconfiantes;
  • GERAÇÃO “Y” = 1980 – 1994 a geração do milênio, na era da globalização;
  • GERAÇÃO “Z” = 1995 – 2009 era da informação, não vivem sem internet;
  • GERAÇÃO ALPHA = bebês nascidos a partir de 2010, interação digital.

A cada geração representa uma fonte de interação social e cultural.

“Uma geração planta árvore e a outra usufrui a sombra.”
(Pensamento milenar Chinês, em A Capacidade de planejar a longo prazo).

A sucessão acontece na base. A família estruturada, considerada como a primeira escola, na qual emerge a educação, o respeito, os valores, crenças, tradições e a cultura que, poderá facilitar ou dificultar a interação social, de geração a geração. Sugere-se criar trabalho solidário entre ajudado e ajudador, conviver e respeitar a diversidade forma-se a interdependência.

Desafios de um olhar mais alongado: Como transmitir as experiências aos novos líderes daqui a 10, 15 ou mais anos? Qual é o legado?

Para o Consultor Rogério Leme, a energia e velocidade da nova geração são indiscutíveis, mas os profissionais maduros geralmente pensam mais antes de agir. A diferença está na experiência e no autocontrole do profissional maduro, que se contrapõe com a ansiedade da nova geração.

Com raciocínio semelhante, o escritor Robert Wong3 desmistifica alguns mitos sobre os mais velhos no mundo ocidental:

Os mais maduros não possuem a agilidade nem a eficiência dos mais jovens: Pode ser em aspectos físicos, mas não mental. A mente parece mais lenta é porque a vasta bagagem prática e a rica experiência vivida têm que ser devidamente processada.

São mais rígidos e avessos a riscos e mudanças: Às vezes. Mas estas características podem até servir de saudável contraponto à pressa. O importante é manter-se flexível em todos os sentidos;

Eles são mais caros de se contratar do que por pares mais jovens: Tudo tem seu preço. O que vale é o ROI – Retorno do investimento e não o custo em si. O executivo mais maduro pode também servir de consultor,

O mesmo autor sugere como melhorar a performance:

  1. Valha-se sua autoconfiança, fruto de seu autoconhecimento;
  2. Aprenda algumas línguas e a linguagem do computador;
  3. Alie seu autoconhecimento (teoria) com sua experiência (prática). Isto é sabedoria, sua maior riqueza e seu grande diferencial de mercado:
  4. Ofereça-se para atuar como mentor, conselheiro, ou coach;
  5. Você não tem nada mais a provar.

Em resumo: tenha orgulho de seu status. Idade é inerente da vida e como tal, ela tem que ser vivenciada com dignidade.

Quanto ao preparo, o Professor José da Paz Cury defende4:

Os trabalhadores do conhecimento tendem a durar mais do que a vida média das próprias organizações onde irão trabalhar (a esperança de vida de uma empresa de sucesso é de cerca de trinta anos). Terão de trabalhar, ainda que em tempo parcial, até os 75 ou mais anos. Sendo assim, cada um terá de estar preparado.

Ainda na questão da aprendizagem, Cíntea, colunista do Supermercado Moderno, afirma5 que as pessoas só ficam velhas quando param de aprender. (regras de ouro). Dica: Aprender a aprender continuamente.

Sem o conhecimento torna as pessoas em um estado de imaturidade contínua. O conhecimento está diretamente ligado a evolução humana. Quem não adquire conhecimento não evolui, apenas existe.

“Quem pára de aprender é velho, tanto aos 20 quanto aos 80 anos. Quem continua a aprender é jovem. A melhor coisa da vida é manter a mente jovem” (Henry Ford).

Não obstante, ser detentor só do conhecimento tácito se esse conhecimento não for explícito, ou seja, se não for disseminado para outros indivíduos, se torna inócuo.

Torna-se essencial atualizar as lideranças. Não se trata de substituir pessoas maduras por jovens, mas sim pessoas paradas no tempo por outras  antenadas com o presente e com capacidade de se questionar e adotar novas posturas.

Na maturidade se solidifica idéias e valores tais como respeito e ética. Ainda nesta fase da vida se consolida o discernimento entre o certo e o errado. Tais pilares constituem a ordem social e passam de geração em geração a fim de que não se perca de vista o compromisso com a verdade.

Torna-se evidente o desafio de expandir a capacidade de visão do mundo alargando as fronteiras do cognitivo, alimentar a mente com novas possibilidades, com o poder da criatividade e da experimentação. Romper a barreira do condicionamento e olhar o velho com olhos novos.

Ainda nesta linha do conhecimento, Abraham Shapiro faz uma metáfora descontraída em seu artigo denominado: “Geleia de Funcionários Maduros”6. Shapiro compara os funcionários como frutas. No início de carreira são como frutas verdes viçosas, dão a expectativa de uma boa colheita. Quando as frutas amadurecem, pode-se fazer geleia. Adicionando-se açúcar, um volume de água e levando-se a mistura ao fogo. Após evaporar grande parte da umidade durante algumas horas, a massa fica livre de micro-organismos e a geleia fica pronta para acondicionar em potes e consumir.

O que aprender disso? Sem o açúcar e a longa exposição ao fogo, a geleia não dá ponto. Transpondo para o ambiente empresarial, a primeira sugestão a respeito de funcionários maduros e viciados é: dê a eles a abertura de espaço propício para desenvolver seu talento latente – uma boa dose de açúcar. Depois submeta-os ao fogo do treinamento, do feedback constante, dos novos desafios e da exposição a mudança de comportamento, às novas aprendizagens e a inovação. Isso dá uma sacudida mental e renova as perspectivas.

Sem os devidos e constantes cuidados, perdem-se bons funcionários. Não deixar que fiquem desmotivados, pois, frutas muito madura ficam passadas do ponto e aí só servem como adubo. Dessa maneira, as frutas ganhavam vida nova podendo continuar servindo como alimento por bastante tempo, conclui a metáfora.

Prosseguindo, é o estilo de personalidade de cada indivíduo (que é imutável), irá influenciar seu perfil preconizado para certas profissões. Ora, se a personalidade não muda, porém, o indivíduo poderá adaptar-se ao ambiente (que é mutável), mediante a atitude ávida à mudança. Mas, o que diferencia o profissional competente do mediano é: aquele inovador ou aquele que parou no tempo; aquele aberto ou fechado; que é proativo ou aquele que apenas reage. Aqui ainda vale o antigo jargão: “homem certo no lugar certo”.

O Recrutamento & Seleção poderá desmistificar se o candidato demonstra possuir os atributos para o cargo e alinhar com os objetivos organizacionais. Segundo o Psicólogo Diviol Rufino7, reforça que cada pessoa é única, irrepetível, insubstituível. Conclui-se que não nos julgarmos melhores e mais perfeitos, nem tampouco desprovidos de valores e qualidades em relação a quem quer que seja. Somos resultantes de fatores genéticos e de escolhas.

É precisamente na diversidade de pontos de vista que mais se aprende.

O mesmo especialista sugere os seguintes passos:

  1. Comece por reforçar as convicções na sua própria unicidade;
  2. Diga a si mesmo: “Sou único, irrepetível e incomparável”;
  3. Redescubra que você é importante para alguém;
  4. Não perca tempo inglório em comparatismo. Desenvolva seus talentos latentes, sua capacidade de interação mais ativa com o ambiente;
  5. Dedique-se às suas escolhas com maios objetividade e busque a realização pessoal mais satisfatória, ainda que seja necessário tempo, esforço, sacrifícios e carga emocional.

E conclui: Todos serão beneficiados, mesmo que a longo prazo.

“Dá-me, Senhor, o idealismo de um jovem e a sabedoria de um ancião” (CNBB)

“Você é aquilo que você faz continuamente. Excelência não é uma eventualidade. É um hábito” – Aristóteles.


Sadi Zamin
Administrador com Habilitação em Agronegócios; Pós Graduado em: Administração e Estratégia Empresarial; em Gestão Empresarial; e em Gestão Estratégica de Pessoas. Consultor e Fundador da Humanizare Desenvolvimento Pessoal e Profissional. Contato: sadi@humanizare.com.br

Sadi Zamin

PARA SABER MAIS
  1. Sistema de Ensino POSITIVO. Valores que governam a instituição: o saber, a ética, o trabalho.
  2. Rosa Krausz – Fundadora do SBDG – Sociedade Brasileira de Dinâmica em Grupos. Porto Alegre-RS – Foz 18.04.12.
  3. Robert Wong (Autor dos livros Dica para um Executivo “O sucesso está no equilíbrio” e “Super dicas para conquistar um ótimo emprego” www.hsm.com.br/artigos/dica-para-um-executivo-mais-senior
  4. José da Paz Cury – Professor do 3º Módulo: Tempo, Rotinas e Delegação – Desafios gerenciais para o Século 21.  p.7/27.
  5. Cíntea. 10 Maneiras de driblar a falta de mobilidade. Supermercado Moderno, Outubro de 2014 p. 34;
  6. Abraham Shapiro – Geléia de Funcionários Maduros. shapiro@shapiro.com.br.
  7. Diviol Rufino – psicologia@cidadenova.org.br, sob o título Autoimagem, Jovens talentos ou profissionais maduros?

Comentários

Artigos Relacionados