Por que investir em educação é a base para o desenvolvimento?

educação é a base para o desenvolvimento

É notória a ansiedade das pessoas que trabalham e produzem em ver seu país desenvolver-se. Elas são ávidas, porém não encontram respostas convincentes sobre o porquê de o país com suas potencialidades cresce ínfimos 3%, ou menos.

Genericamente a maioria das pessoas é unânime em afirmar que investir em educação é prioridade. Mas por que educação está atrelada ao desenvolvimento? Quais são as causas e efeitos?

Com o objetivo de encontrar estas e outras respostas aos questionamentos que mais inquietam as pessoas, procuramos reunir neste trabalho uma coletânea de opiniões de pessoas e instituições que no decorrer de suas matérias, defendem seus pontos de vista.

Espera-se que tais opiniões venham esclarecer se de fato a educação tem a ver com o desenvolvimento do país, senão vejamos:

De acordo com Barcellos Neto1, se o país não investir no ensino público básico com qualidade, as pessoas de baixa renda não estão propensas investir em educação. Sem um bom ensino de base, as mesmas não têm acesso a uma universidade pública, por ser altamente seletiva. Passar do ensino médio para o ensino superior torna um obstáculo intransponível para a maioria, quando deveria ser uma continuidade natural na vida do estudante, uma seqüência lógica.

Por isso, a universidade gratuita fica restrita às pessoas que tiveram ensino básico particular de boa qualidade e ainda investiram em cursinhos pré-vestibulares. Um privilégio da minoria.

Na visão de Ioschpe2, a universidade pública gratuita, na qual a elite vai para cursos de maior aceitação no mercado, ela terá um grande aumento de renda privada como fruto dessa educação subsidiada. Ele sugere que, se as vagas são tão poucas, que sejam para os melhores. Se melhorássemos a educação básica, as pessoas poderiam chegar à universidade pelos próprios méritos. Neste caso atribui-se à educação o principal fator da desigualdade.

Em que pese a crescente oferta de vagas por conta de universidades particulares e o crescimento de interesse pelo estudo, ainda assim apenas 7% da população tem curso superior e minguados 3% com pós-graduação.

A média atual dos trabalhadores brasileiros chega apenas seis anos de estudo. Se a base educacional é fraca, conseqüentemente renda também é baixa. Emprego existe, porém, faltam pessoas qualificadas para dominar a tecnologia disponível. E a tendência é automatizar ainda mais os sistemas meios, por conta da exigência do mercado. Em outros países os trabalhadores chegam a estudar 9, 12 ou mais anos onde a produtividade e a renda são proporcionalmente maiores, demandam o consumo de produtos, fazem poupança visando livrar-se da dependência financeira, geram impostos, elevam a qualidade de vida. São vários exemplos de países onde a educação foi à contribuição para alcançar um estágio superior de desenvolvimento.

O conhecimento é pressuposto básico para as pessoas entenderem o mundo em sua volta e interagir com ele. Sem a qualificação profissional, a mão-de-obra usa apenas esforço físico, tem gargalos e limitações para criar e implementar projetos novos.

Para Luccas3 “Apesar de estar entre as 12 maiores economias do mundo, o Brasil continua entre os países com maiores níveis de desigualdade na distribuição da renda e da riqueza”.

De acordo com a conta feita pela New Economics Foundation4, “no atual ritmo de crescimento e distribuição de renda, o Brasil vai levar 304 anos para atingir o mesmo nível de distribuição de renda dos países ricos”. Na mesma matéria jornalística, o Banco Mundial calcula que “no Brasil, os 10% mais ricos recebem 47,2% da renda e os 20% mais pobres apenas 2,6%”.

O Relatório do Desenvolvimento Humano divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Brasil, se a transferência de apenas 5% da renda da parcela dos 20% mais ricos da população para os 20% mais pobres, permitiria que 26 milhões de pessoas saíssem da linha de pobreza. No Brasil são 53 milhões de pessoas.

A matéria continua com pesquisa da UNESCO5 – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, num universo pesquisado em 121 países, o país tem o maior índice de repetência da América Latina: 32%. Nos países desenvolvidos chega a três por cento. Isto significa que está se condenando um terço da população ao atraso, à repetência e a perda de qualificação.

A matéria citada pela UNESCO, a dificuldade do Brasil em alfabetizar adultos. Eles ainda são 16 milhões. O Mundo soma 771 milhões. Quanto às crianças que chegam até a 5ª série do ensino Fundamental, o Brasil fica em plano inferior, ou seja, em 85º lugar.

No ranking, a Argentina fica em 27º lugar, o Chile 41º e o Uruguai 50º. O 1º lugar é Barbados. Os adolescentes aos 14 anos param de estudar para trabalhar para ajudar a renda, embora o trabalho infantil é proibido.

Finaliza com o economista americano Milton Friedman, Prêmio Nobel de Economia em 1986, ao escrever que a educação é uma grande instituição, ele afirma que a educação está na base de tudo.

O alemão Pierer6, ao visitar o Brasil referindo-se ao desenvolvimento das nações, afirma: “Ganhará a corrida do futuro quem construir o melhor sistema de educação”. Ainda de acordo com Pierer, a China faz isso, e essa é a razão de seu sucesso. Não obstante, Confúcio dizia há 2500 anos: “Eduque as pessoas e faça-as ricas”.

Após ter apreciado a riqueza de depoimentos de renomadas pessoas que podemos considerar autoridades no assunto, suas opiniões são convergentes, cujo contexto nos remete a concluir que de fato a causa dos baixos índices de desenvolvimento é a baixa qualificação das pessoas e que investir em educação é a base para o desenvolvimento do país, mesmo em longo prazo.

O Brasil não pode mais continuar com baixos índices de desenvolvimento a mercê da esteira do desenvolvimento global. É necessário que haja um despertar para a conscientização geral visando recuperar e desenvolver a educação no Brasil. E isso vai acontecer quando a sociedade entender que o mundo está evoluindo e a educação é uma variável estratégica para o desenvolvimento integral.

Não há mais tempo a perder, tampouco para retroceder. É preciso priorizar duas frentes: o governo investindo melhor em educação os recursos públicos que vem dos impostos que a população paga e as pessoas tomando uma atitude proativa, apoiando e fazendo um esforço obstinado em estudar mais.

Nossa sociedade deve perguntar: Que país queremos daqui a 20 ou mais anos? O desafio é começar…Educação pressupõe aprender tudo o que for útil. É como levar uma caixa de ferramentas nas mãos que vão desembaraçar todos os problemas por mais intransponíveis que possam parecer.

Assim, se tivéssemos que gastar oito horas para cortar uma árvore, gastaria seis horas para afiar o machado e as outras duas para cortar a árvore.

Se as pesquisas revelam que educação é o tema atual de maior interesse é porque as pessoas estão percebendo que “quem planta educação colhe desenvolvimento”.

“Investir em conhecimentos rende sempre melhores juros”
(Benjamin Franklin)


Sadi Zamin
Administrador com Habilitação em Agronegócios; Pós Graduado em: Administração e Estratégia Empresarial; em Gestão Empresarial; e em Gestão Estratégica de Pessoas. Consultor e Fundador da Humanizare Desenvolvimento Pessoal e Profissional. Contato: sadi@humanizare.com.br

Sadi Zamin

SAIBA MAIS
  1.  BARCELLOS NETO, Paulo, economista do Banco Cooperativo Sicredi, “Perspectivas para a economia no contexto internacional”, conferenciando em Foz do Iguaçu-PR, 2005.
  2.  IOSCHPE, Gustavo, “A educação no Brasil aumenta a desigualdade” revista ISTOÉ n° 1877, de 05.05.05.
  3.  LUCCAS, Jaime, “O Brasil desigual”, revista Cidade Nova, N° 11, de novembro de 2005.
  4.  NEW ECONOMICS FOUNDATION, “Igualdade com país rico só em 304 anos” jornal O Paraná de Cascavel-PR, edição de 24.01.06.
  5.  ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E CULTURA, ‘Brasil é 71° na qualidade de educação” jornal O Paraná de 10.11.05.
  6.  PIERER, Heinrich Von, Presidente da Siemens, “O desafio da globalização”, Editora Abril, revista VEJA, N° 1931 de 16.11.05.

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